sexta-feira, 17 de junho de 2016

Valores de x

Eu não faço ideia do que estou fazendo aqui. Cálculos e números? É, esses certamente são bons motivos. Fora isso? Não faço ideia. 
Eu só queria expandir o meu mundo, sabe? Não quero mais ficar aqui. Olha, eu até gosto de engenharia genética, acho interessante como o petróleo funciona e sou curiosa quando estudo juntas de dilatação. Mas esse não é o meu lugar.
Como se eu fosse um peixinho fora d'água, me ensinam a fazer cálculos, "entender" fórmulas, resolver contas, deduzir questões contextualizadas. Contextualizadas aonde? 
Não são poucas as vezes que suspiro, cansada, querendo voar. Eu não quero mais ficar fazendo só conta e me preocupando só com seus números frios que não dizem absolutamente nada sobre mim. Respeito os que vivem assim, mas, sinto muito, eu não.
Eu quero estar onde a vida acontece: quero estar nos cálculos de economia, de luta humana, de valores, de vidas, defendendo ideias, pessoas e sonhos, e não fórmulas prontas. Olha só, eu nem sei quais são a pronúncia e a grafia corretas de Bhaskara.
Mas eu sei que o meu sonho é maior do que esse simples quarteirão. Eu quero fazer mais. Eu posso fazer mais.
O que me lembra, por enquanto e mais uma vez a, b, c, d ou e... exercícios de dilatação.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Chá ou café?

Não adianta, sou teimosa. Não sei fazer jogos, não sei ser mais ou menos, divisão, zero a zero. Se eu gostar de você, será de você, por você e você, só você. Eu sei que fiz teatro quando era mais nova, mas nesse caso não sei representar. Sou somente eu, e preciso que você seja somente você.
Não consigo conviver no morno - meu café é quente, meu chá é gelado. Se você me encantou de alguma maneira, eu vou te mostrar isso da maneira mais sincera e transparente que eu sei, sendo eu chá ou café. Mas eu preciso que você seja, como poetizou Leminski certa vez.
Por favor, não seja chá em temperatura ambiente, café a 24 graus Celsius. Não seja só um número, não seja indireta - por favor, me conte tudo. Não seja, salvo chá ou café, líquido, volátil, escasso, que escorre por entre os dedos.
Eu só sei ser coração. Sentimentos merecem plenitude. Eu sinto, e eu sinto muito. E se você não consegue ser quente ou frio nessa cafeteria, evapore, por favor.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nós?

Ambos somos desajustados, românticos enrustidos, silenciosos gritando em pensamento, sem tempo, com mais interrogações do que ponto e vírgula, exclamação e ponto final.
Talvez sejamos uma escola literária que ainda vai ser lida, escrita, estudada.
Por ora, mesmo sendo mistura, confusão, segredo, subentendido, eu quero ler, sem medo e sem razão, o que se esconde nesses olhos viajantes - e mais tarde (quem sabe?), no teu coração.
Existe delito previsto no código penal, passível de coerção, para quem partiu o coração de alguém que nem sabia tê-lo nas mãos?