segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crônica do bom e velho adeus

Eu não sabia que era adeus. Eu nunca sei quando é adeus. Eu nunca quero saber. Me orgulho de não saber dizer adeus. Às vezes. Outras vezes eu só me retruco e penso no quanto isso é tempo, sentimento e espaço perdido no coração. 
Você disse que me amava naquele dia. Mas é normal, você costumava dizer sempre. Faz uns 20 dias, você disse de novo. E nos despedimos. De novo. Mais do que eu te amo, dizemos adeus. Nós somos feitos de adeus. Talvez sejamos isso. Fotografias do tempo, marca nos dias, mancha de negativo... data embaixo de fotos, lembrete esquecido. 
Talvez a gente seja o que deixou de ser mas às vezes esquece que não é mais. Somos despedida e talvez esse seja o motivo pelo qual nós nunca ficaremos juntos. Porque de despedida em despedida você já foi, eu já me mudei, as fotos ficaram perdidas por aí, em algum carteiro, embaixo de qualquer envelope grande, em qualquer carta. 
Nosso amor é poeira que vez ou outra, graças ao meu nariz sensível, não passa despercebida e me faz espirrar. Nosso amor é aquela música que não toca mais na rádio, mas vez ou outra me pego cantarolando. Nosso amor é um livro que não foi escrito nem revisto, é rascunho que eu joguei fora mas vivo trazendo pra dentro. 
Nosso amor são desenhos que eu nem sei se ainda existem, mas que eu insisto em contornar. Nosso amor é o meu piloto preferido que já não tem mais cor. 
Nosso amor ninguém lembra mais. Que ninguém sabe e nem quer mais saber. Nosso amor é eu e você. Mas eu e você já deixou de ser... então o que é o nosso amor? Nosso amor é querer não saber, mas eu já sei. E você?

22 de janeiro de 2015

sábado, 26 de dezembro de 2015

Uma boa causa

Causas perdidas? Causas casuais, causas causais, causas causadas, causas? Não importa o causo, o amor sempre será uma boa causa. De manhã ou no fim de tarde, o amor sempre terá justificativa. 
O amor sempre terá voz, não importa o quanto você insista em se fazer de surdo. O amor fala mais alto, nem adianta fingir que é mudo. Certa vez eu li em algum lugar que não, o amor não é o que faz o mundo girar... mas o que faz o giro valer a pena. 
Amor ao próximo, livre, amor às coisas simples, simplesmente amor, completamente e complexamente amor, amor amor amor. O orgulho passa. Vaidade vai. Ciúme é passageiro. Briga já foi no trem. O exagero diminui. Os excessos vão. O amor fica. Por causa de quê? Com causa, por causa ou sem causa, o amor sempre terá uma boa causa.


14 de janeiro de 2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sentir

Seria mais fácil não sentir?
Seria, claro que seria. Mas eu me recuso. Me recuso a ser uma pessoa morna, sem sentimentos - me recuso não sorrir com tudo de mim! Eu definitivamente me recuso deixar de sentir frio na barriga, borboletas no estômago, vontade de rir quando não pode, chorar no travesseiro, ser feliz em dobro, de cabeça pra baixo, dançando, cantando, sentindo!
E daí se o mundo é dos que não sentem? Eu não sou daqui mesmo. Sou de onde vem os que sentem, os que amam, os que esperam, os que abraçam, os que gargalham! 
Vou continuar sentindo e sendo coração, e eu sei que essa sempre vai ser a melhor parte de mim.

O meu (teu) Deus afrouxa o meu riso todos os dias... o meu (teu) Senhor me faz amar todos os dias. Meu (teu) Deus é um Deus de sol. Um Deus de abraço apertado, de fé, de vida, de cura. Meu (teu) Deus é um Pai suave... um Pai que floresce em cada detalhe dia após dia, todos os dias. O meu (teu) Deus é o Deus que criou a Lua de noite pra que eu não pudesse sequer pensar em me perder na escuridão... meu (teu) Deus desenhou as estrelas, os planetas! O meu (teu) Deus adora me ver sorrir... e se eu prestar atenção, quando eu sorrio em silêncio posso senti-Lo sorrindo comigo. 
O meu (teu) Deus coloca esperança nos meus pés, fé nas minhas mãos e amor no meu viver... o Deus que eu conheço é diferente desse Deus que dizem que é tão carrancudo, tão distante, tão longe... o meu (teu) Deus vive do meu lado... está nas nuvens, no canto dos pássaros... está no riso contido da criança que passa cantando na rua, no barulho das ondas que quebram em cada praia, na mocinha que ajuda a velhinha a atravessar uma rua, na esquina, na avenida... 
Deus está presente em tudo na nossa vida... Deus se importa com cada segundo do meu dia. Do seu dia. Deus é contramão da escuridão... oposto de preconceito, de dor... Deus é paz. Paz que excede todo e qualquer entendimento. 
Deus é luz que desatina e brilha. Luz que ilumina. Mas antes de tudo... Deus é amor. Não é ódio, não é guerra, não é cegueira. Deus é muito mais do que isso. 
Mas um pouco além disso, Ele ama você. Incondicionalmente. Para sempre.


Imagine

Imagine só se ao invés de gastarmos praticamente todo o nosso o tempo apontando os nossos dedos estendêssemos as mãos? Imagine se, por pelo menos um dia, esquecêssemos de gritar tão alto e lembrássemos de ouvir um pouco mais? Imagine se, de repente, o de coração fosse mais bonito que o automático? Imagine se valorizássemos o artesanato? Nossas mãos podem criar tantas coisas bonitas, mas uma das coisas mais lindas é que elas podem entrelaçar-se em outras mãos. É mais bonito quando elas estão dadas do que quando empurram. Imagine só! Imagine se todos fossem aceitos, redimidos, perdoados, sarados. Imagine só fazer parte disso. O mundo num abraço. Lágrimas compartilhadas. Sorrisos unidos. Imagine só, se o amor fosse o mais importante. Imagine se as pessoas se dessem conta de que é só isso que importa. Imagine se todos ouvissem. 
Amor? É, é ele sim! Está batendo a sua porta.

Outro sobre amor

Aos poucos eu aprendi (e ainda aprendo!) a sorrir até nas minhas fraquezas... eu sei que Deus é grande. Sei que Ele é meu Pai! Sei que me faz sorrir todos os dias com o sol, a lua, as estrelas, as crianças felizes e os abraços involuntários. Com o tempo eu aprendi (e aprendo!) que Deus existe num sorriso. Nas mãos dadas. Nos reencontros. No visível, no imprevisto. Nos altos; também tá nos baixos. No perdão, no me desculpa. Deus tá no antigo, mas também tá novo, tá na boa nova! Tá no verde da árvore do meu quintal, no rosa das flores do jardim; tá na palavra, no agir e no silêncio. Tá em você. Tá em mim. Acho que aprendi (e aprendo todos os dias) que Ele sempre vai estar aqui. E meu coração, até na fraqueza, sorri.

O amuleto

O meu avô era ourives. Ele adorava fazer anéis, brincos, pulseiras, colares... era tudo tão bonito, tão brilhante, tão puro... mas não era o brilho que me fazia sorrir. Eram as mãos. Sim, as mãos. As habilidosas mãos do meu vovô, que trabalhavam dia após dia fazendo aquele colar que hoje é o meu preferido de todos no mundo. Simplesmente porque foi ele quem fez. Toco naquele cordão e o sinto próximo a mim. Essa noite eu não estava usando o colar. Essa noite eu fechei os olhos e precisei de um abraço. Mas não um simples abraço. Era do meu verdadeiro Pai que eu precisava. Eu precisava de Deus. Instintivamente, como eu faço com o colar do meu avô, procurei algum amuleto que me fizesse sentir que o meu Pai estava ali. Nada. Não tinha cordão. Nem brincos. Nem uma pulseira. Respirei fundo. Era maior do que tudo aquilo. Maior do que qualquer lembrança, maior do que qualquer visão, do que qualquer toque. Eu não vi. Eu não toquei. Mas eu tinha certeza de que Ele estava ali. Eu tenho certeza de que Ele está aqui. Tão certo quanto as estrelas pendendo no céu, quanto o sol que vai brilhar amanhã, mais certo do que tudo. Ele prometeu. Eu sabia. De repente, sem mais nem menos, eu senti. É Ele! É Ele! Sorri. Não pude deixar de agradecer. O meu amuleto é o amor. Não dá pra agarrar, é grande demais! Mas olha só pra isso, independente disso, o amor cabe em mim! Meu Deus cabe em mim. Meu Deus. Eu não mereço, mas Ele sempre vai estar aqui. Sempre.

A menina que sorria com livros


Li num livro uma vez o moço dizendo pra sua preciosa e linda filhinha: "com um sorriso desses... você não precisa de olhos". Intuo que ele seja cheio de verdade ao dizer isso. Com um sorriso, eu nem olho para os olhos... mas espere um minuto. Pare pra observar, já parou pra pensar em como os olhos se tornam pequeninos e espremidos quando se sorri? É que talvez o senhor Hans Hubermann estivesse e esteja certo ao desenhar sorrisos... eu não preciso de olhos para sorrir. Eu não preciso ver. Um dia faz sol, dia claro... no outro faz chuva, dia chuvoso, tudo nublado. Mas aprendi mais tarde que com um sorriso... eu não preciso de sol. Nem de olhos. Eu simplesmente sorrio. Só rio.

12 de outubro



Eu nunca vou deixar de ser criança! Nunca vou me negar o sorriso, o sonho e a esperança. Não vou deixar que se apague o brilho no meu olhar, aquela vontade de mudar o mundo, a fé nas pessoas, a vida em papai do céu, o passo firme, a vida leve! Nunca vou deixar de querer ser feliz. 
Quero poder sempre rir, rir muito alto e com besteira! Quero me sujar de picolé de morango, correr na praia, ter olhos que enxerguem o melhor das pessoas e um coração que possa a cada dia se tornar maior e mais humilde mesmo que eu seja tão pequena! Não vou me encarcerar na seriedade e no cinza! Eu não! 
Eu quero a grama verde, o céu azul, as nuvens bonitas de formatos engraçados, o quintal do tamanho do mundo, as lembranças inesquecíveis, a vida num sorriso! Quero amor. Quero ser amor! 
Eu sou criança pra sempre.

Flor e ser


É que não dá... desculpem senhores, eu não consigo. Com licença mundo, eu não quero nem tentar. Não me contenta andar se eu posso voar. Não me conforma o incolor se eu posso ser flor. Sou flor. Pequena flor. Vou florescer onde Deus me plantou. Que eu germine em flor, semente de amor. Que apesar de toda dor eu possa sorrir semente. Que eu possa colorir somente. Que eu aprenda a cultivar sorrisos até nos terrenos mais frios. Eu quero germinar. Quero ser amor até onde parece não dar. Serei sempre pequena, mas os meus sonhos são grandes. E quer saber? Que se ame!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A quinta-feira mais bonita

Hoje, como toda quinta-feira, eu volto pra casa à tarde depois do colégio, mas hoje foi diferente... no meio de tanta gente apressada, entre tanta correria, no meio de tantos relógios, buzinas, carros, caras fechadas, estresse e dor de cabeça... tinha uma senhora. Ela viu o que tanta gente, por ter tanta pressa, não conseguiu ver. Na rua tem vários cachorros... pessoas, cachorros, gatos, seres vivos que vivem à mercê de tanta correria... alheios a tanto egoísmo e a tanta velocidade. 
Num mundo onde todos olham mas ninguém vê, uma senhora os viu. Viu dois cachorrinhos na rua morrendo de fome e no meio de tanta gente apressada, carrancuda e cética... ela parou. Ela parou e veio com um saco cheio de ração e duas vasilhas pra aqueles animaizinhos que não têm culpa de onde nasceram, de como vivem e no meio em que existem... no meio do egoísmo e do egocentrismo, ela escolheu se ajoelhar e alimentar aqueles dois animais. 
Ela escolheu amar. E eu não pude deixar de sorrir. No meio de tanta gente séria, ela conseguiu ser sorriso. Ela conseguiu ser amor. Ela me fez reafirmar mais uma vez que as coisas simples sempre vão ser as mais bonitas... ela me fez ver mais uma vez que o amor existe, existiu e que sempre vai existir... mas o amor começa de dentro pra fora. Não o contrário. 
O amor é esquecer um pouquinho da palavra "eu" e começar a dizer "nós". O amor talvez esteja costurado nos dias mais bonitos, mas com certeza está bordado no cotidiano que esquecemos de ver... e essa é a beleza dele, não é?

18 de setembro de 2014

Quando os olhos se fecham


A morte é irônica. Tão ríspida. Tão rápida. Tão simples. Complexa. Tão triste quando ela nos força a ver quem se ama partir... tão poética quando todos se abraçam. Quando depois de toda a escuridão restam os abraços, o pranto, o silêncio, a contenda, as mãos dadas... porque até depois da morte, ainda existe o amor. Sim, o amor. 
Amor que consegue ser mais forte do que essa barreira de interrogações que chamamos de morte. Depois que se morre, os que ficam se amam. Se unem. Mesmo que apenas em um sétimo dia, mantém-se todos juntos. Coração com coração. É que apesar de tanta dúvida, de tanta lágrima e de tanta pergunta, quem ficou continua ali. De braços abertos. Até Deus sabe quando. E eu agradeço a Ele por ter a oportunidade de abraçar e de ter abraçado todos aqueles que amo. 
Porque no fim de tudo é só isso o que deixamos. Tudo isso que deixamos. Sementinha pequena. Cabe num olhar. Mas tão grande quanto o mar. Deixamos o amar.

29 de novembro de 2014.
Para Jefferson Feliciano. Com amor e saudade.

Pés

Ele sempre insistia nos chinelos. Ela amava sapatos com cadarço... talvez por causa do laço bonito que ela sempre fazia quando os amarrava. Ele gostava dos chinelos porque se sentia livre. E entre cadarços, chinelos, alpargatas e sapatos, quando estavam descalços é que os dois se davam bem. Porque não importava se ele preferia os chinelos, se ela amava os sapatos... os pés deles sempre seguiam o mesmo caminho, e essa era a melhor trilha daquela bonita e diferente anatomia que os unia.
É tão difícil olhar a tristeza nos olhos e sorrir. Tão difícil se levantar depois de ter caído tão feio. Mais difícil ainda é permanecer se levantando. Tão difícil ser paciente e bondoso. Difícil não ser ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Às vezes fica difícil demais não fraquejar e não acabar sendo grosseiro nem egoísta; não ficar irritado, nem guardar mágoas. 
É difícil todos os dias, dia após dia, não desistir, porém suportar tudo com fé, esperança e paciência. Mas de que vale o que não é difícil se é passageiro? De que vale o que é fácil se o fácil durará pouco? Qual o valor de desistir se o que nos espera é o eterno? Ser amor talvez seja uma das coisas mais difíceis do mundo. Mas ele vem bordado de eternidade. Temos a eternidade para vivermos aprendendo. É difícil amar, mas com ele tudo fica mais fácil. Ele é fiel, é esperançoso. Ele é tudo isso e simplesmente isso pra caber em mim e em você. Você aceita caber no amor?

Sonho sonhado junto é só mais um sonho?

Eu sinceramente me recuso a acreditar que vivo em uma sociedade onde devo andar olhando para os lados. Onde não posso falar e nem sorrir para um estranho, pois o meu senso comum me alerta que ele pode ser um um sequestrador, um louco... um maníaco.
A que ponto chegamos? Que mundo é esse onde o amor foi enterrado vivo? Que sociedade é essa onde tenho que andar com medo até de olhar na janela? Onde foram parar os sorrisos? Cadê as pessoas boas? Cadê aquela inocência e aquele quê de infância? Onde está o simples e o belo, que antes eram vistos como o mais importante? Hoje quase tudo o que vejo são pessoas e coisas ruins. Hoje eu não posso sair nas ruas e desejar "bom dia" a um estranho sem nenhum receio. 
Que mundo é esse onde ninguém respeita ninguém? Que mundo é esse onde a lei é olho por olho e dente por dente? Eu me pergunto onde foi parar a compaixão. Onde foi parar o amor ao próximo? Onde está o bem? Cadê a verdade? Onde estão os valores? E os bons corações? Por quê se esqueceram? 
Eu prefiro olhar bem no fundo do meu coração e procurar ali o melhor de mim. Vestir o meu melhor sorriso e me cobrir de esperança por um mundo mais bonito. Um mundo onde as crianças possam correr felizes pela rua, empinando pipa e brincando de esconde-esconde, e que eu possa ver no sorriso de cada uma delas a pureza e a simplicidade dignas de uma criança. Dignas de um ser humano. 
Quero viver para ver um mundo onde as pessoas possam ser gentis com as outras sem pedir nada em troca. Quero ver um mundo onde valha a pena acreditar que, no fundo, as pessoas possam ser realmente boas. E que cada um de nós podemos e devemos cultivar o amor, antes e acima de tudo, dentro de nós mesmos, pois o amor começa de dentro pra fora. 
Olho para o céu e acredito que um dia tudo será mais bonito. Acredito que um dia poderei andar sem medo e sorrir não só com os lábios, mas com a alma. Até lá eu sonho, mas com plena convicção de que um sonho sonhado junto não é só mais um sonho: é uma realidade.

11 de abril de 2013

Garrafas salgadas

Esta tarde fui à praia e me entristeci muito com as cenas que vi. 
Era fim de dia, duas crianças brincavam livremente junto ao mar, quando de repente uma delas arremessa duas garrafas de coca-cola para o fundo. Assim, sem mais nem menos. No início o meu sentimento foi de revolta, mas sei que aquela criança não tem culpa de ter feito aquilo, pois afinal, quem é o espelho dela? Em quem ela se inspira? Quem são seus pais? 
Pensando nisso tudo guiei meus olhos ao resto de toda praia e notei a realidade que eu já esperava: ela estava suja. Completamente imunda. Eram garrafas, plásticos, sacolas, restos de comida, imundície, o puro reflexo de quem vive às margens daquele lugar. As pessoas passavam por ali tranquilamente e não se importavam, nem sequer se queixavam, caminhavam acomodadas com aquela sujeira. Com aquele lixo. Nenhuma delas se dispôs a se abaixar e retirar nem que fosse ao menos uma garrafinha que estava ali. Algumas reclamavam do mau cheiro, mas nenhuma tomou alguma providência para saná-lo. Todos estavam completamente acomodados. 
E aquelas crianças... quem serão quando crescerem? Em quem se inspirarão? Qual será o futuro delas? Será que continuarão a poluir a praia, as ruas e principalmente suas vidas sem nem ao menos terem a real consciência do que estão fazendo? É... mudar é trabalhoso, permanecer inerte é confortável, mais cômodo. Ninguém naquela praia se mexeu. Naquele plano micro todos estavam cegos. Surdos. Mudos. 
Fiz minha parte... minha pequena parte: peguei o meu saquinho de lixo e catei todas as garrafas que pude. Tentei fazer com que o máximo de pessoas vissem. Não por exibicionismo ou benefício próprio, mas na esperança de que alguma daquelas crianças me visse e mudasse de inspiração. E de espelho. 
Eu sozinha não posso fazer nada pra mudar esse mundo, mas eu sei que se fizer minha parte da melhor maneira que eu encontrar, vou conseguir inspirar nem que seja uma pessoa, e isso pra mim é tudo. 
Mudar vem de dentro... é trabalhoso, mas aos poucos, quem sabe, aquela praia (e a nossa vida) um dia não amanheça e permaneça completamente limpa? Orarei pela vida, pelo plano micro, o plano macro e por aquelas criancinhas.
Mas antes de mais nada, farei minha parte.

22 de dezembro, tarde de 2013

Versinho de 2011

Sorria! Porque um dia sem sorrisos é um dia perdido. 
Perde-se amor, perde-se alegria, perde-se a esperança de que não importam as lágrimas, amanhã é um novo dia. Sorria!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Krakatoa

É que eu afasto as pessoas. O meu jeito krakatoa - ouvi isso na aula de geografia, o vulcão; nunca ouvi nada tão parecido comigo desde essa aula.
Eu sou assim, explodida. Não queria ser, mas eu sou. E de explosão em explosão, nem todas minhas, tudo se queimou. Se perdeu, foi embora, derreteu.
Eu só queria um lugar onde nada entrasse em erupção - onde eu pudesse deitar sossegada e olhar para as estrelas, que, olhem só, explodiram a tantos anos. Essas explosões até que são bonitas.
Como as estrelas, mesmo de longe, eu queria ver beleza em minha explosão. Queria aprender a explodir amor - e que ela fosse tamanha que alcançasse a todos. Até o céu.
Pensando bem, até mesmo sem vulcanismo, eu queria poder abraçar a minha mãe e pedir desculpas por todas as vezes que explodi errado - você sabe, vez ou outra isso vem do nada. Mas apesar de, é assim: tamanho é o amor que transborda na família.
Estou aprendendo a ser vulcão. Por mais que a lava venha e acabe com tudo o que estava ali, o que vem depois é lindo. Quer dizer, você já viu um solo depois de um agente como o vulcanismo? É sem igual.
Espero que um dia eu saiba explodir só em coisas boas.
Dezoito anos é a idade de explodir gritaria e espinhas, mas eu posso tentar.
Ainda tem muito relevo para modelar - e caminhar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dois dias atrás.
Estava no extra com minha mãe e minha irmã. E, nossa, como estava cheio! Cheio e decorado, com muitas árvores de natal, guirlandas e um ou dois bonecos de papai noel.
As pessoas, apressadas, passavam rápido fazendo as famosas compras de natal. De um lado para o outro, filas e mais filas, carrinhos cheios, impacientes. Observava tudo em silêncio e com um pouco de pressa, tentando acompanhar os passos de mamãe.
Compramos tudo. E finalmente chegamos ao caixa. Haviam duas pessoas na nossa frente, e esperamos.
E chegou a vez da moça da frente. O cabelo dela estava um pouco desarrumado, ela parecia tão estressada. Continuei olhando.
Na hora do pagamento, a mocinha do caixa avisou que não tinha dinheiro trocado - que estava muito difícil eles conseguirem em qualquer época do ano.
A mulher ficou muito raivosa. Ela começou a falar um monte de coisas, coisas tão ruins para aquela atendente. E em momento algum a atendente se alterou. Com toda a calma do mundo, com cortesia, tentou explicar da melhor maneira possível. Mas a mulher era irredutível.
Um moço que também era atendente chegou para tentar apartar tudo aquilo, e o que eles ouviram? - Chega. Escuta aqui, criatura, me dá logo essas sacolas que eu mesma empacoto minhas compras.
E ela deu. Afrouxou todas as sacolas, e a mulher puxou com grosseria enquanto ainda dizia coisas ruins.
O que eu estou querendo com tudo isso não é apontar para essa mulher que se irritou no caixa. Eu só queria que pensássemos um pouco sobre o verdadeiro significado do natal. Passamos tão apressados pelos supermercados, procurando deixar tudo perfeito para a ceia, mas esquecemos do motivo de ela existir. Do que ela representa.
Um atendente é tão importante. Um garçom faz tanta diferença. Aquele que nos serve também merece ouvir palavras de amor. Ele merece a nossa paciência, as nossas desculpas.
Em todos os lugares tenho escutado as mais lindas cantigas de natal. Nos shoppings, ruas e praças. Todos falando de amor e união - por quê é tão fácil cantar e difícil viver?
Não precisamos ser iguais. O natal não é lindo apenas pelas luzes, por favor. A luz precisa estar em nós. Precisamos reencontrar o sentido.
Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.
(Marcos 10:45)

sábado, 5 de dezembro de 2015

E quando aquele que você mais ama é também a sua maior decepção?

Não sei quantas vezes um coração pode se partir e continuar batendo de uma maneira segura, mas com certeza esse número deve ter sido ultrapassado ao menos cinco vezes, apenas nessa semana.
Eu tenho os olhos dele. E o nariz também. As pessoas dizem que quando sorrimos é quase como se fôssemos idênticos. Ele adorava escrever quando mais novo, e, veja só... eu ainda adoro escrever.
Graças a ele eu já li tudo de Machado, de Vinicius e de Drummond - também por ele toca no meu fone, incansavelmente, o bolero de Ravel.
Mas principalmente, com todas as forças, notas e letras, é graças a ele que minha história está toda embaralhada.
É estranho, um dia o seu maior orgulho Se torna a sua pior decepção. Eu imaginava, quando mais nova, que as máscaras eram apenas nos teatros, nas comédias, nas festas. Vez ou outra percebo que me enganei diversas vezes.
Uma das pessoas que eu mais amo usa uma, duas, três máscaras. E cada uma delas, ao cair, derrubava um pedacinho de mim. Um pedacinho de nós.
Ele era tudo o que eu podia abraçar. Tudo o que era certo. Tudo o que ia, mas sempre voltava. Era todo aquele bom exemplo, uma superação bonita, tudo o que era belo.
Eu nem sempre acreditava em heróis de capa, mas eu acreditei nele.
Hoje em dia ele vive por aí, em algum lugar, eu não o vejo mais.
Sinto falta do que fomos, do que éramos. Saudade das coisas mais simples e bobas. Dá saudade de acreditar em tudo o que ele me dizia - hoje eu sei que foi tudo mentira. Eu sei que eu vou amá-lo para sempre - e mais um dia.
Mesmo que ele nunca tenha me amado de verdade.