segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crônica do bom e velho adeus

Eu não sabia que era adeus. Eu nunca sei quando é adeus. Eu nunca quero saber. Me orgulho de não saber dizer adeus. Às vezes. Outras vezes eu só me retruco e penso no quanto isso é tempo, sentimento e espaço perdido no coração. 
Você disse que me amava naquele dia. Mas é normal, você costumava dizer sempre. Faz uns 20 dias, você disse de novo. E nos despedimos. De novo. Mais do que eu te amo, dizemos adeus. Nós somos feitos de adeus. Talvez sejamos isso. Fotografias do tempo, marca nos dias, mancha de negativo... data embaixo de fotos, lembrete esquecido. 
Talvez a gente seja o que deixou de ser mas às vezes esquece que não é mais. Somos despedida e talvez esse seja o motivo pelo qual nós nunca ficaremos juntos. Porque de despedida em despedida você já foi, eu já me mudei, as fotos ficaram perdidas por aí, em algum carteiro, embaixo de qualquer envelope grande, em qualquer carta. 
Nosso amor é poeira que vez ou outra, graças ao meu nariz sensível, não passa despercebida e me faz espirrar. Nosso amor é aquela música que não toca mais na rádio, mas vez ou outra me pego cantarolando. Nosso amor é um livro que não foi escrito nem revisto, é rascunho que eu joguei fora mas vivo trazendo pra dentro. 
Nosso amor são desenhos que eu nem sei se ainda existem, mas que eu insisto em contornar. Nosso amor é o meu piloto preferido que já não tem mais cor. 
Nosso amor ninguém lembra mais. Que ninguém sabe e nem quer mais saber. Nosso amor é eu e você. Mas eu e você já deixou de ser... então o que é o nosso amor? Nosso amor é querer não saber, mas eu já sei. E você?

22 de janeiro de 2015

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