quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O amuleto

O meu avô era ourives. Ele adorava fazer anéis, brincos, pulseiras, colares... era tudo tão bonito, tão brilhante, tão puro... mas não era o brilho que me fazia sorrir. Eram as mãos. Sim, as mãos. As habilidosas mãos do meu vovô, que trabalhavam dia após dia fazendo aquele colar que hoje é o meu preferido de todos no mundo. Simplesmente porque foi ele quem fez. Toco naquele cordão e o sinto próximo a mim. Essa noite eu não estava usando o colar. Essa noite eu fechei os olhos e precisei de um abraço. Mas não um simples abraço. Era do meu verdadeiro Pai que eu precisava. Eu precisava de Deus. Instintivamente, como eu faço com o colar do meu avô, procurei algum amuleto que me fizesse sentir que o meu Pai estava ali. Nada. Não tinha cordão. Nem brincos. Nem uma pulseira. Respirei fundo. Era maior do que tudo aquilo. Maior do que qualquer lembrança, maior do que qualquer visão, do que qualquer toque. Eu não vi. Eu não toquei. Mas eu tinha certeza de que Ele estava ali. Eu tenho certeza de que Ele está aqui. Tão certo quanto as estrelas pendendo no céu, quanto o sol que vai brilhar amanhã, mais certo do que tudo. Ele prometeu. Eu sabia. De repente, sem mais nem menos, eu senti. É Ele! É Ele! Sorri. Não pude deixar de agradecer. O meu amuleto é o amor. Não dá pra agarrar, é grande demais! Mas olha só pra isso, independente disso, o amor cabe em mim! Meu Deus cabe em mim. Meu Deus. Eu não mereço, mas Ele sempre vai estar aqui. Sempre.

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