terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quando os olhos se fecham


A morte é irônica. Tão ríspida. Tão rápida. Tão simples. Complexa. Tão triste quando ela nos força a ver quem se ama partir... tão poética quando todos se abraçam. Quando depois de toda a escuridão restam os abraços, o pranto, o silêncio, a contenda, as mãos dadas... porque até depois da morte, ainda existe o amor. Sim, o amor. 
Amor que consegue ser mais forte do que essa barreira de interrogações que chamamos de morte. Depois que se morre, os que ficam se amam. Se unem. Mesmo que apenas em um sétimo dia, mantém-se todos juntos. Coração com coração. É que apesar de tanta dúvida, de tanta lágrima e de tanta pergunta, quem ficou continua ali. De braços abertos. Até Deus sabe quando. E eu agradeço a Ele por ter a oportunidade de abraçar e de ter abraçado todos aqueles que amo. 
Porque no fim de tudo é só isso o que deixamos. Tudo isso que deixamos. Sementinha pequena. Cabe num olhar. Mas tão grande quanto o mar. Deixamos o amar.

29 de novembro de 2014.
Para Jefferson Feliciano. Com amor e saudade.

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