terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Garrafas salgadas

Esta tarde fui à praia e me entristeci muito com as cenas que vi. 
Era fim de dia, duas crianças brincavam livremente junto ao mar, quando de repente uma delas arremessa duas garrafas de coca-cola para o fundo. Assim, sem mais nem menos. No início o meu sentimento foi de revolta, mas sei que aquela criança não tem culpa de ter feito aquilo, pois afinal, quem é o espelho dela? Em quem ela se inspira? Quem são seus pais? 
Pensando nisso tudo guiei meus olhos ao resto de toda praia e notei a realidade que eu já esperava: ela estava suja. Completamente imunda. Eram garrafas, plásticos, sacolas, restos de comida, imundície, o puro reflexo de quem vive às margens daquele lugar. As pessoas passavam por ali tranquilamente e não se importavam, nem sequer se queixavam, caminhavam acomodadas com aquela sujeira. Com aquele lixo. Nenhuma delas se dispôs a se abaixar e retirar nem que fosse ao menos uma garrafinha que estava ali. Algumas reclamavam do mau cheiro, mas nenhuma tomou alguma providência para saná-lo. Todos estavam completamente acomodados. 
E aquelas crianças... quem serão quando crescerem? Em quem se inspirarão? Qual será o futuro delas? Será que continuarão a poluir a praia, as ruas e principalmente suas vidas sem nem ao menos terem a real consciência do que estão fazendo? É... mudar é trabalhoso, permanecer inerte é confortável, mais cômodo. Ninguém naquela praia se mexeu. Naquele plano micro todos estavam cegos. Surdos. Mudos. 
Fiz minha parte... minha pequena parte: peguei o meu saquinho de lixo e catei todas as garrafas que pude. Tentei fazer com que o máximo de pessoas vissem. Não por exibicionismo ou benefício próprio, mas na esperança de que alguma daquelas crianças me visse e mudasse de inspiração. E de espelho. 
Eu sozinha não posso fazer nada pra mudar esse mundo, mas eu sei que se fizer minha parte da melhor maneira que eu encontrar, vou conseguir inspirar nem que seja uma pessoa, e isso pra mim é tudo. 
Mudar vem de dentro... é trabalhoso, mas aos poucos, quem sabe, aquela praia (e a nossa vida) um dia não amanheça e permaneça completamente limpa? Orarei pela vida, pelo plano micro, o plano macro e por aquelas criancinhas.
Mas antes de mais nada, farei minha parte.

22 de dezembro, tarde de 2013

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