sábado, 5 de dezembro de 2015

E quando aquele que você mais ama é também a sua maior decepção?

Não sei quantas vezes um coração pode se partir e continuar batendo de uma maneira segura, mas com certeza esse número deve ter sido ultrapassado ao menos cinco vezes, apenas nessa semana.
Eu tenho os olhos dele. E o nariz também. As pessoas dizem que quando sorrimos é quase como se fôssemos idênticos. Ele adorava escrever quando mais novo, e, veja só... eu ainda adoro escrever.
Graças a ele eu já li tudo de Machado, de Vinicius e de Drummond - também por ele toca no meu fone, incansavelmente, o bolero de Ravel.
Mas principalmente, com todas as forças, notas e letras, é graças a ele que minha história está toda embaralhada.
É estranho, um dia o seu maior orgulho Se torna a sua pior decepção. Eu imaginava, quando mais nova, que as máscaras eram apenas nos teatros, nas comédias, nas festas. Vez ou outra percebo que me enganei diversas vezes.
Uma das pessoas que eu mais amo usa uma, duas, três máscaras. E cada uma delas, ao cair, derrubava um pedacinho de mim. Um pedacinho de nós.
Ele era tudo o que eu podia abraçar. Tudo o que era certo. Tudo o que ia, mas sempre voltava. Era todo aquele bom exemplo, uma superação bonita, tudo o que era belo.
Eu nem sempre acreditava em heróis de capa, mas eu acreditei nele.
Hoje em dia ele vive por aí, em algum lugar, eu não o vejo mais.
Sinto falta do que fomos, do que éramos. Saudade das coisas mais simples e bobas. Dá saudade de acreditar em tudo o que ele me dizia - hoje eu sei que foi tudo mentira. Eu sei que eu vou amá-lo para sempre - e mais um dia.
Mesmo que ele nunca tenha me amado de verdade.

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