Todos já tivemos um. Ah, você sabe... está bem ali, no título. O verdadeiro - mas errado - amor.
Aquele que te faz perder a respiração enquanto as pernas tremem e que, assim de repente, faz o seu estômago parecer um depósito de casulos onde desabrocham e dançam milhares de borboletas. Não exagero: milhares. Você já teve esse amor, não é? Eu também.
Escrevo para esse amor quase todos os dias, mesmo sabendo que ele não irá ler. Mesmo entendendo que o nosso tempo já acabou faz tempo - mesmo reconhecendo que nossas vidas de alguma maneira precisam ir em frente. Parece simples, não é? Quem dera.
O verdadeiro e errado amor é mais complexo do que isso. Todos sabem que não foi feito para dar certo. Até nós sabemos; nós só não reconhecemos. Batemos o pé, choramos - ah, como choramos -, fazemos birra... chegamos até a dizer: "O amor é o suficiente". E pronto. Mas nesse caso, querido leitor... quase nunca é. É amor, mas é errado. A milhares de quilômetros, errado. Ao lado, mas errado. O tipo de amor que machuca, mas que a gente quer sentir. O amor que te faz brigar com todos que discordem dele, até mesmo quando é o seu irmão, a sua mãe, aquele seu sábio tio...
O tipo de amor que parece uma raiz aérea, tentando sobrevoar o terreno alagado, buscando forças, devagar mas sempre, procurando viver. Sobreviver.
Ah, o verdadeiro e errado amor... aquele que vive nas mentes de todas as senhoras e senhores que já tiveram dezesseis. Aquele que te dá coragem de cruzar cidades, de fugir de casa, trocar de nome e até - olhe só! - sobrenome. O amor que te faz pegar o cofrinho com moedas de um real, contar uma a uma, só pra ver se tem o suficiente para os dois irem embora.
O verdadeiro e errado amor é aquele que nunca desiste nem nunca desistiu, ele só adormeceu. Acho que todos já tivemos um; é só fechar os olhos e lembrar. Quantas cartas rabiscadas, quantas lágrimas e gritos, só por causa de um sorriso. Aquele sorriso que tinha luz de paraíso, aqueles minutos, aquelas horas... até meses. Sim. O verdadeiro e errado amor é paciente. O tempo parece não passar. Mas infelizmente ele passa... e esse amor tenta sobreviver - ele consegue, mas é empurrado, encaixotado, embrulhado pelo medo - o "será que"? Pela dúvida. Pelo talvez. Pelo mais tarde. Pelo não.
E logo esse verdadeiro e errado amor vira cartão postal escondido embaixo de todos aqueles livros e diários da adolescência; se transforma em conselho para os filhos, em memória através de músicas.
Fotografia velha. O bom e velho amor.
O verdadeiro, mas errado amor.
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