domingo, 8 de novembro de 2015

Maria sou, Maria somos

Voltando pra casa tranquila dentro do meu já tão conhecido ônibus das sextas-feiras, tive aquela sensação boa de conseguir um lugar do lado da janela. Os ventos que me fizeram descansar me trouxeram a lembrança da minha irmã da Índia que nesse exato momento volta sozinha e com medo dentro de outro ônibus. Ela teme por sua vida todos os dias. Peço instintivamente para que Deus esteja ao lado dela, como peço para que esteja ao meu lado todos os dias. É tão perigoso ser mulher. Ser flor.
Eu não moro na Índia, mas eu moro no Brasil. E é sonhando que um dia a minha irmã indiana vai andar na rua sem medo é que defendo a minha irmã brasileira. Eu escolhi ser amor, coragem e fé. O amor me faz ser forte. Me faz ir seguindo o sonho de defender minhas irmãs Maria, Amélia, Ana.
Eu não as conheço, mas as nossas histórias são iguais. Também é por elas que eu estudo, que eu grito, que eu escrevo, que eu sou. Eu sou como elas são. Nós somos como elas são. Somos irmãs, somos uma, e isso também é amor. Essa é a luta, a força e a doçura de ser mulher. Nós vamos conseguir, Marias. Eu também sou vocês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário