sábado, 7 de novembro de 2015

O prédio que eu já morei

Todos os dias, de segunda a sexta, eu acordo bem cedo pra apanhar a condução. É a mesma rotina de sempre, as mesmas pessoas, as mesmas carinhas de sono, as mesmas fardas, as mesmas esperanças.
Jaboatão do Guararapes é bem grande, e percorremos praticamente a cidade inteira até chegarmos a Boa Viagem, onde ficam a maioria dos colégios e cursinhos.
Nesse longo percurso, existem muitos prédios. Prédios de todos os tamanhos e de todos os gostos. Casas. Lojas. Postos. Prédios. Mas no meio desse cinza, existe um prédio em especial. É ele!
O Studio Copacabana. Ali, pertinho de tudo. Não dá pra não sorrir por lembrar. Já morei ali. Tinha uns 8, 9 anos. Tanta coisa já vivi! Tanto chão já corri ali. Lembro da minha amiga que me ensinou golpes de judô e da que trocou figurinhas da Floribella comigo. Lembro do jardim de inverno que eu não cansava de admirar. Dos vizinhos apressados e do síndico simpático. Lembro até das vezes que eu chorei, por ter levado tombo ou não. Não moro mais lá, mas lá também é o meu lugar. Eu amo aquele lugar.
E no meio de muros de pedra, aquele é especial.
Você já notou como o amor muda tudo? De repente um prédio não é só um prédio. De repente pessoas não são só pessoas. Não, pessoas nunca serão só pessoas. Passar por aquele prédio me faz lembrar também, como Anna do beijo francês bem colocou, que lar pode ser uma pessoa e não um lugar.
Quando o amor vira seu lar qualquer lugar dá pra amar. Até de manhã bem cedinho, olhando pra um prédio bonito. Não é?

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