sábado, 7 de novembro de 2015

Mulambo eu... mulambo tu?

"E o mulambo já voou, caiu lá no calçamento, bem no sol do meio-dia
O carro passou por cima e o mulambo ficou lá
Mulambo eu, mulambo tu"
Hoje o dia foi corrido, e os meus fones insistiam em tocar Chico Science pelos rios, pontes e overdrives. Eu sempre amei Chico, mas nunca em toda minha vida eu havia visto tão real aquilo que ele sempre cantou.
Na frente do curso onde estudo havia um rapaz. Um senhor. Caído no chão, se tremendo, sem nenhuma garantia de nada. Supondo apenas o chão. Aquela pedraria quente que não perdoa quem cai.
Lá estava ele, com várias pessoas ao redor. Doeu saber que muitos deles eram apenas curiosos urubus sobrevoando, fotografando e comentando, mas ao mesmo tempo meu coração se encheu de esperança ao ver que naquele meio haviam pessoas que se importavam com o pobre e caído maltrapilho.
Dói não saber como se chama aquele senhor. Dói saber mais tarde que ele, sua esposa e seus filhos foram despejados porque o senhor não tinha como pagar o aluguel. Um senhor epiléptico, que estava internado mas saiu correndo de lá para abraçar sua família que estava desamparada. Esse mesmo homem foi espancado por não ter pago o aluguel da sua casa. Esse homem teve um sério traumatismo craniano. Como doeu a omissão de tantos. Como dói saber que talvez eu nunca mais vá saber como esse homem vai ficar.
Não vai passar em nenhum noticiário. Ninguém vai comentar. Ninguém vai falar. Ninguém. Qual é mesmo o nome dele? Tirem logo ele da rua, está obstruindo a passagem.
Cadê a família dele? Na rua? Pelas pontes? Quem liga pra isso? Eles não têm sobrenome, nem renome, nem renda, beira, nem eira.
Qual a verdadeira história dele? O que ele fez? E o pior: o que nós fazemos?
Eu não sei. Nós não sabemos. Nós ignoramos. Por quê?

Nenhum comentário:

Postar um comentário