sábado, 7 de novembro de 2015

Amor, amor...

- Você sabe o que dizem do amor, não é? Ele não acaba...
- Maria, acho que não é à toa que amor rima com dor.
- Por quê, Zé? 
- Ah, o amor é quase isso que dizem. O amor é tudo e muito mais, Maria. Não dá pra resumir num pra sempre que acabou, como o teu, menina. O amor talvez seja pluralidade. Mais do que tudo ainda é o amor. 
- Tá bom Zé, mas ainda não te entendo! Por quê tu me diz que amor tem motivos pra rimar com dor?
- Por que a gente não pede pra sentir dor. Dor não é uma coisa que se deseje, não vem com um pedido formal. Dor é uma coisa engraçada, uma coisa particular. Tem gente que sente mais dor que outros. Mas todos um dia vão sentir dor. E a dor que é dor não passa, a gente só aprende a conviver com ela.
- É verdade, Zé. Talvez o amor seja coragem para uma hora ou outra ter que sentir dor.
- Não, Maria.
- Não?
- Não. O amor em si é a dor. Mas é uma dor bonita, uma dor que vale a pena ser doída. Porque no fim das contas, o verdadeiro amor é também o antídoto contra a dor. Eu te disse, te disse que o amor é tudo.
- Oxe Zé, eu não entendi foi nada!
- Ô Maria, e quem entende o amor?
- Mas bem que era pra entender, não?
- Não, Maria. Se amor fosse pra entender eu saberia, e não sentiria.
- Zé, o amor é um verbo!
- É verdade, Maria.
- Verbo, paráfrase ou sem nexo, não importa. O amor é eterno.

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