domingo, 21 de agosto de 2016

Chuva de verão

Talvez esse tenha sido o meu maior erro: acostumada, nas aulas de natação e até comigo mesma, mergulhei de cabeça em alguém que era só uma poça de chuva deixada ali de manhã e que daqui a algumas horas ou minutos ia evaporar. Eu quis ser plenamente eu em quem talvez nem saiba o que é isso - ou talvez saiba, mas eu não quero saber disso agora. Fui clima em quem só foi tempo, garoa. E foi. Ele é mais velho, mas sente muito menos do que eu. O que fazer? Eu só tenho dezenove. Talvez a certidão de nascimento dele queira atestar que ele é mais centrado, mais experiente, com mais caminhos, mas... quer saber? Eu penso e presenciei algo completamente diferente. Me apaixonei por um rapaz pelo que ele era, foi ou deixou de ser - ele me falava de suas viagens, e eu sorria imaginando cada episódio bem narrado. Ele falava com propriedade coisas sobre igualdade, movimentos sociais, empatia e beleza em todos os segmentos - ele até me chamava de bonita, também. E eu juro que acreditei nisso todas as vezes que ele disse. Mas o tempo - implacável tempo nos ponteiros e passos - passou. E com ele foram os discos, as risadas, as canções, as xícaras e os interesses. As vontades? Elas também passaram, como os carros passam, como a chuva cai, como a poça seca. Ele foi chuva - chuva bonita, acrescentei. Mas que pena. Foi só mais uma transitória, inconstante, passageira e acabada chuva de verão. - Sorri. Nem precisei olhar para o céu. Estendi as mãos para fora, e... viu? Parou.

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