Não exagero quando digo que tem sido maravilhoso andar de ônibus. Não tão maravilhoso quando faltam cadeiras e sobram passageiros, ou quando você passa algum tempo esperando numa parada... digo maravilhoso quando lembro de cada história que pude viver, conhecer e fazer parte mesmo que em poucas horas dentro de um coletivo.
Hoje conheci um menino. Devia ter uns sete anos. Cabelo lisinho, mãos gordinhas, tava tão cansado... encostou a cabeça na janela e... dormia. Entre lombadas, buracos, pessoas falando alto, entra e sai, vai e vem, ele dormia. Um lindo menino. - Ele pega esse ônibus todos os dias, moça. É um bom menino, gosta de conversar. Tem dia que ele senta lá atrás, mas hoje ele tá aqui na frente pra ficar perto dessa janela. Às vezes é meio ruim porque o sol bate forte mas ele nem liga... ele se preocupa mesmo é em sentir o ventinho. E dorme tranquilo tranquilo. - o cobrador me disse olhando para ele com carinho.
Sentei ao lado do mocinho. Não o conhecia, mas naquele momento era como se ele fosse parte da minha história de uma maneira muito especial. Eu sei que isso não se vê todos os dias, mas olhando para aqueles pézinhos... aqueles pés tão pequenos em sapatos tão gastos, rasgados e velhos, me senti na responsabilidade de ficar ali, ao lado dele. Enquanto eu pudesse. Naquele momento eu era como a irmã mais velha de um menino que eu nem conhecia mas já sentia tanto. Eu vi toda a inocência em olhos fechados. Toda a serenidade nos suspiros que ele dava enquanto dormia.
Tenho quase 18 anos e só comecei a andar de ônibus agora... antes sempre tinha algum carro pra me levar e eu tinha o banco traseiro todo pra me deitar. Mas ele... foi indescritível vê-lo ali, tão novo, tão desconfortável, mas com tanta paz. Aquele menino ao acordar me transmitiu felicidade. Ele me disse sorrindo: - Eu só dormi porque sei onde fica minha parada. Já aprendi! - ele se explicou quando perguntei onde ele ia descer. - Ah... e essa janela é boa demais! Dá pra dormir bem e tem até um ventinho no rosto - sorri junto.
Ele não sabe, mas hoje me ensinou muito mais que uma parada. Ele me ensinou a dar aquele sorriso de criança... independente dos sapatos, do transporte, do sol quente... ele era grato pelo vento que fazia. Ele era feliz, e o jeito que sorriu pra mim me fez ser feliz com ele. Me fez ser grata também. A maldade do mundo não fez mal nenhum àquele sorriso bonito. E ele foi embora.
Quero um dia poder ser igual ao menininho: quero sentir o vento ao invés do sol quente. Quero sorrir no meio do barulho e das caras feias. Descansar até no esburacado. Continuar caminhando com o melhor de mim, mesmo que meus sapatos estejam rasgados. Deus me dá mais que um sapato.
Hoje conheci um menino. Devia ter uns sete anos. Cabelo lisinho, mãos gordinhas, tava tão cansado... encostou a cabeça na janela e... dormia. Entre lombadas, buracos, pessoas falando alto, entra e sai, vai e vem, ele dormia. Um lindo menino. - Ele pega esse ônibus todos os dias, moça. É um bom menino, gosta de conversar. Tem dia que ele senta lá atrás, mas hoje ele tá aqui na frente pra ficar perto dessa janela. Às vezes é meio ruim porque o sol bate forte mas ele nem liga... ele se preocupa mesmo é em sentir o ventinho. E dorme tranquilo tranquilo. - o cobrador me disse olhando para ele com carinho.
Sentei ao lado do mocinho. Não o conhecia, mas naquele momento era como se ele fosse parte da minha história de uma maneira muito especial. Eu sei que isso não se vê todos os dias, mas olhando para aqueles pézinhos... aqueles pés tão pequenos em sapatos tão gastos, rasgados e velhos, me senti na responsabilidade de ficar ali, ao lado dele. Enquanto eu pudesse. Naquele momento eu era como a irmã mais velha de um menino que eu nem conhecia mas já sentia tanto. Eu vi toda a inocência em olhos fechados. Toda a serenidade nos suspiros que ele dava enquanto dormia.
Tenho quase 18 anos e só comecei a andar de ônibus agora... antes sempre tinha algum carro pra me levar e eu tinha o banco traseiro todo pra me deitar. Mas ele... foi indescritível vê-lo ali, tão novo, tão desconfortável, mas com tanta paz. Aquele menino ao acordar me transmitiu felicidade. Ele me disse sorrindo: - Eu só dormi porque sei onde fica minha parada. Já aprendi! - ele se explicou quando perguntei onde ele ia descer. - Ah... e essa janela é boa demais! Dá pra dormir bem e tem até um ventinho no rosto - sorri junto.
Ele não sabe, mas hoje me ensinou muito mais que uma parada. Ele me ensinou a dar aquele sorriso de criança... independente dos sapatos, do transporte, do sol quente... ele era grato pelo vento que fazia. Ele era feliz, e o jeito que sorriu pra mim me fez ser feliz com ele. Me fez ser grata também. A maldade do mundo não fez mal nenhum àquele sorriso bonito. E ele foi embora.
Quero um dia poder ser igual ao menininho: quero sentir o vento ao invés do sol quente. Quero sorrir no meio do barulho e das caras feias. Descansar até no esburacado. Continuar caminhando com o melhor de mim, mesmo que meus sapatos estejam rasgados. Deus me dá mais que um sapato.
Hoje foi maravilhoso.
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