Uma das coisas que mais me encanta na escrita de Jane Austen é toda a sinceridade e amor que ela inspira. As protagonistas de Jane são humanas, singulares e teimosas - e, mesmo separadas de nós por algumas centenas de anos, conseguem ser lindas e compreendidas até mesmo nos dias de hoje.
Emma Woodhouse não foi diferente. Creio que, de todas as personagens de Austen, Emma foi a que mais me cativou. Apesar de ser, de acordo com a própria Jane, "a heroína que ninguém, além dela própria, iria gostar muito", Emma consegue conversar com o leitor como se fosse uma velha amiga. Ela tem falhas, imperfeições, e talvez seja esse o conjunto mais bonito dessa obra, porque foi exatamente isso que fez com que, vez ou outra, eu suspirasse comigo mesma, dizendo: "Eu imagino como ela se sente. Imagino muito bem".
De capítulo em capítulo, pude acompanhar o quanto Emma crescia, em alma e coração, o quanto ela conseguia se renovar sem nunca deixar de ser ela mesma - extremamente divertida e romântica.
Me encanta o modo como o livro aborda cada personagem e suas particularidades.
Em uma época tão diferente da nossa, é tão maravilhoso poder constatar que, apesar de regras e limitações, os sentimentos existiam de uma maneira linda e pura. Apesar de tanta imposição, o amor floresceu de uma maneira linda nesse livro que consegue ser doce, amargo e belo em todas as linhas.
Constatamos a doçura do destino e das peças que tantas vezes ele nos prega - a curiosidade, a amizade, as boas intenções, o perdão e as razões que direcionam cada um dos personagens faz com que seja impossível não se identificar com ao menos um personagem do romance Emma.
597 páginas recheadas de ironia, segredos, sorrisos, tropeços e bons sentimentos.
Se você for ler, recomendo atentar a todos os detalhes. É neles que vive a verdadeira genialidade de Jane Austen.
Preciso mesmo dizer que amei?

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