sábado, 28 de maio de 2016

Hoje eu conheci a Vitória

Hoje eu conheci a Vitória.
As aulas acabaram, e eu tive que voltar correndo pra casa, porque hoje vou viajar em família, e todo mundo me apressou pra eu chegar mais cedo. 
Corrigi a redação com o professor, e corri pra pegar o ônibus, que por sinal demorou mais do que nunca. Nada do Candeias, muitos Piedade, mas eu não queria desistir.
De repente começou a chover muito forte! Esse tempo louco da cidade, né? Não teve jeito. Tive que pegar um insistente Piedade. Ônibus lotado
, janelas fechadas, tudo abafado. Sentei nos degraus da porta do meio, coloquei os fones, desenhei um solzinho no vidro, e fiquei lá, driblando as bolsas pesadas e os pés apressados.
E aí, ali perto do Ponteio, ela entrou no ônibus. Bem pequenininha, com o cabelo bem enroladinho, olhar esperto, usando all star preto. Sorri na mesma hora, porque automaticamente lembrei de mim naquela idade. Ela tinha as mesmas marquinhas de alergia de muriçoca que eu costumava ter quando era pequena. Era esperta, alegre, sentou nos degraus também, do meu lado.
Depois de cinco minutos a gente não parava de conversar. Vitória tem onze anos e começou a andar de ônibus semana passada. Ela riu quando eu disse que só faz um ano que eu comecei a andar. É monitora de matemática, e riu mais uma vez quando eu disse que era péssima em exatas. Vitória é toda decidida: quer ser engenheira eletrônica quando crescer.
Fiquei feliz de o ônibus ter atrasado, porque aí eu a conheci. E lembrei de toda a minha infância, dos meus onze anos, e de como eu era... tão parecida com ela. As mãos pequenas, o olhar pensativo, o sorriso largo.
No meio da cidade, dentro do coletivo, nas ruas, precisamos olhar mais para o lado e perceber a história de cada um. Vitória me deixou nostálgica e com vontade de rever fotos antigas. De repente a chuva e a lotação estavam em segundo plano. As surpresas e as conversas do caminho são as melhores.


20 de maio de 2016

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