sábado, 28 de maio de 2016

Moças

Eu quero ser reconhecida por quem eu sou, e não por quem aparento ser.
Só estou cansada de ter que aceitar em silêncio o quanto a beleza conta, o quanto um pó compacto influencia, o quanto o resto parece um nada sem tamanho.
Eu gosto de me maquiar. Mas eu gosto muito mais de ler, de debater, de escrever, de conversar, de discutir. Admiro as meninas que se pintam e as que não se pintam também - elas são lindas, cada uma a sua bela e singular maneira. Mas elas não devem ser vistas apenas em suas cores externas - isso é tão fugaz.
Eu não quero ser vista como uma bonequinha, por mais que eu adore a Holy Golightly. Atrás de cada esteriótipo de bonequinha existe uma história, existe um sonho, existe uma vida, e existe uma dor.
É que dói ouvir todos os dias que o estresse é culpa apenas da TPM. É horrível escutar para ser silenciosa o tempo todo, agir como se não tivesse sentimentos. Eu sinto, e eu sinto muito.
Eu só queria que o sol brilhasse para todos do mesmo jeito, sem rodeios, sem melindres. Cansei de ser melindrosa.
Ser menina é tão mais do que apenas usar laços e vestir rosa. Ser menina é amadurecer antes da idade permitir, é perceber o coração, é ser enérgica, tão cheia de ideias, tão cheia de vida, mas tão obrigada a calar a boca.
Eu não quero mais calar a boca. Eu quero ser mulher, porque eu lutei para me tornar uma. Em resistência encontro os meus sonhos, tudo o que escrevo, os diálogos, a vontade de ser ouvida, a voz que fala alto no meio da multidão.
Moças, por favor, não podemos fazer silêncio nunca mais.

15 de abril de 2016

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